Falta representação política para profissionais do sexo

O trabalho sexual ganhou destaque nos últimos anos – mas muitos dos candidatos as próximas eleições de 2020 ainda relutam em opinar sobre a questão. Enquanto @s profissionais do sexo continuam a pressionar pelos direitos da classe, é difícil não se perguntar: por que é tão raro para os políticos falar sobre isso?

Nos Estados Unidos, após a estrela pornô Stormy Daniels se tornar uma espécie de ícone feminista, o público parece ter se tornado mais simpático, ou pelo menos mais consciente das experiências das trabalhadoras do sexo.

Na Europa, mas concretamente na Holanda, Amsterdã tem sido considerada o modelo da indústria do sexo moderna, com a prostituição legalizada e renomeada como parte da indústria do lazer.

Stormy Daniels, há 'mais de um lado em cada história
Stormy Daniels, há ‘mais de um lado em cada história

O Conselho Internacional da Anistia Internacional realizou uma votação para proteger os direitos d@s profissionais do sexo. Delegados e delegadas de todo o mundo se uniram para aprovar uma política sobre o assunto.

“Os trabalhadores e trabalhadoras sexuais são um dos grupos mais marginalizados do mundo e, na maioria dos casos, enfrentam risco constante de sofrer discriminação, violência e abusos. Nosso movimento global preparou o terreno para a adoção de uma política para a proteção dos direitos humanos dessas pessoas, que ajude a orientar o trabalho futuro da Anistia Internacional sobre assunto tão importante”, disse Salil Shetty, secretário-geral da Anistia Internacional.

Falta de representação política no Brasil

O Código Brasileiro de Ocupações (CBO) tem registrada à prostituição com o número 5198. O código penal não criminaliza o exercício da atividade, mas pune todos os envolvidos na cadeia da prostituição, à exceção dos clientes. Assim, elas podem trabalhar de forma autônoma, sem o “auxílio” de terceiros.

Expor as dificuldades sofridas por acompanhantes com serviços de sexo desperta sentimentos de desconforto, fundados no moralismo de que elas ou eles desfrutam da “vida fácil”.

Os direitos das acompanhantes e profissionais do sexo é um assunto que deve ser discutido, junto com  outros temas de máxima relevância como a violência sexual, o tráfico de pessoas, e à exploração sexual de crianças e adolescentes.

Estudos feitos no 2010 falavam em perto de 1,5 milhão de trabalhadores do sexo. Através de associações, principalmente constituídas por acompanhantes e ex-profissionais do sexo, alguns grupos organizados surgiram, mas faltou o apoio maciço da classe para ganhar representação política.

Qual a posição dos candidatos para as eleições de 2020 sobre os direitos no trabalho sexual? NÃO SABEMOS!!!

A sindicalização tem sido usada por vários grupos sociais como uma ferramenta eficaz em movimentos baseados em direitos.

Nem todas as trabalhadoras do sexo podem ou querem ser ativistas e mudar o mundo. Muit@s profissionais do sexo gostam de manter seu mundo em privado, porém a coletivização parece ter algo para todos. Muitas acompanhantes vivem uma vida de luta para sobreviver, mas encontrariam tempo para se envolver ativamente na luta pelos direitos da classe representadas por um coletivo organizado.

O Brasil carece de avanços em políticas públicas de reconhecimento da classe.

A categoria de profissionais do sexo, sobre a qual pouco se fala, sofre com grande intensidade os efeitos da Covid-19. Assim como entregadores, motoristas de aplicativo e outros cujas condições de trabalho obrigam a se arriscar pelas ruas, trabalhador@s do sexo tem sofrido com grande intensidade os efeitos da Covid-19.

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