Afinal, o que pensa Kamala Harris do trabalho sexual?

Temos visto em redes sociais avisos dos mais diversos ao respeito da opinião contraria da nova vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, ao respeito do trabalho sexual. Acompanhantes com milhares de seguidores no twitter e lutadoras a favor dos direitos das trabalhadoras do sexo alertam sobre a posição contraria da Kamala à legalização do trabalho sexual.

A equipe do Pimenta pesquisou nos principais jornais americanos, a posição da Kamala ao respeito do trabalho sexual.

Kamala tem um histórico controverso em relação ao trabalho sexual.

Os inícios

Em 2008, Kamala se opôs à Proposição K, uma medida eleitoral de São Francisco trazida por profissionais do sexo para acabar com as prisões por prostituição na cidade.

Chegou a chamar a descriminalização da prostituição de “completamente ridícula”

Kamala  justifica sua postura no passado, como resultado de sua vontade de criminalizar cafetões e clientes, o que julgava procedente na época. Ela parece ter mudado de ideia.

Luta contra os sites de acompanhantes

Kamala também não poupo esforços para fechar o Backpage.com, um site de acompanhantes americano. Ela não reconheceu a importância do site para as trabalhadoras do sexo, enfatizando que deveria ser impedido de receber anúncios que pudessem fazer propaganda de menores.

Como procuradora geral da Califórnia, Kamala tentou processar os donos de sites de acompanhantes, alegando que operar um site onde profissionais do sexo publicam anúncios era equivalente a lenocínio. No Senado, desempenhou um papel na elaboração de uma legislação para atingir o Backpage, com base no fato de que o site estava supostamente envolvido com tráfico de pessoas.

As trabalhadoras do sexo se opuseram à campanha para fechar o Backpage – não para defender o Backpage, mas para defender sua segurança. Elas disseram que o site oferece uma plataforma para que eles tenham mais controle sobre as condições de seu trabalho. Após muito debate, ficou claro que o fechamento de tais sites torna muito mais difícil ajudar as pessoas que enfrentam o perigo no mercado do sexo. Como as profissionais do sexo previram, a lei levou os sites a fecharem suas portas e recusarem anúncios e outros conteúdos dessas profissionais, incluindo discussões sobre segurança no local de trabalho e organização política.

Com as políticas apoiadas por Harris, as trabalhadoras do sexo ficaram mais marginalizadas e mais vulneráveis.

Nova geração de candidatos políticos

A raiz dos protestos nacionais de trabalhadoras do sexo contra o SESTA / FOSTA em junho de 2018 apareceu uma nova geração de candidatos políticos, como a senadora do estado de Nova York Julia Salazar (D) e a deputada federal Alexandria Ocasio-Cortez (DN.Y.), que oferecem seu apoio para a descriminalização das trabalhadoras sexuais em suas próprias plataformas.

Mas, apesar da aparição de novos políticos com projetos sobre descriminalizar os serviços de sexo entre adultos que consentiram, não estava claro se a Kamala Harris estava realmente comprometida com tal posição.

Declarações no mês de março 2019

Numa entrevista realizada o passado 2 de março de 2019, Kamala Harris se tornou a primeira candidata presidencial dos EUA a declarar publicamente que apóia a descriminalização do trabalho sexual. Na entrevista foi questionada: “Você acha que o trabalho sexual deve ser descriminalizado?” Ela respondeu : “Acho que sim. Eu vou descrinalizar.” Mais tarde, ela acrescentou que “quando você está falando sobre consentimento entre adultos, acho que devemos realmente considerar que não podemos criminalizar o comportamento consensual, desde que ninguém esteja sendo prejudicado”.

É a primeira vez na história dos Estados Unidos que um candidato a este cargo tenta agradar ao público apoiando os direitos das trabalhadoras do sexo.

Recentemente durante a campanha, Kamala Harris também prometeu agir contra os alarmantes índices de violência contra mulheres trans , afirmando que deve haver “consequências mais graves e responsabilidade aos culpados”.

Organizações de direitos LGBTI+

A descriminalização do trabalho sexual se tornou uma pauta importante entre organizações de Direitos LGBTI+, já que um número desproporcional de pessoas trans atuam como profissionais do sexo devido a falta de oportunidades e marginalização às quais são submetidas em outros trabalhos.

Assim como em questões de direitos trans, Kamala também tem um histórico controverso em relação a trabalho sexual e policiamento, dois temas que envolvem em peso a população trans, ainda tão atrelada à marginalidade.

Kamala Harris, a nova vice-presidente eleita, tem um forte histórico de luta pelos direitos LGBTI +

Kamala Harris e o trabalho sexual hoje

Hoje, Kamala Harris vê a situação com outros olhos e diz apoiar a descriminalização do trabalho sexual, o que antigamente era contra.

Seria genuinamente importante se Kamala estivesse definitivamente dando seu apoio à descriminalização TOTAL do trabalho sexual removendo as penalidades criminais contra as pessoas envolvidas no comércio de sexo e seus clientes. Mas, apesar da discussão sobre descriminalizar os serviços de sexo entre adultos, não está claro se ela está realmente comprometida com tal posição.

A postura de Kamala sobre a descriminalização das trabalhadoras sexuais fica aquém das exigências da classe.

A postura de Kamala é menos clara e comprometida do que a das legisladoras de Nova York. Mas, para uma político entusiasta como Kamala, sequer lançar a ideia de apoiar a descriminalização representa uma grande vitória para as trabalhadoras do sexo.

Seu apoio declarado pode até ser devido à visibilidade e poder político que as trabalhadoras do sexo alcançaram, tudo na esteira das tentativas da mesma Kamala em fechar os locais que elas costumavam trabalhar. A vida da muitas voltas 😉

Fontes: https://www.washingtonpost.com/opinions/2019/03/02/kamala-harris-brought-sex-work-into-spotlight-heres-what-she-should-do-next/

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