Maria Boa o cabaré mais famoso do Brasil

Maria Boa 😻, o cabaré mais famoso do Brasil

O personagem de Maria Boa, entre a realidade e o mito, é sempre presente na história da Aviação de Caça. Contam os historiadores que quando os americanos finalmente conseguiram convencer o presidente Getúlio Vargas a ficar do lado dos Aliados, o Brasil recebeu muito material bélico, para reforçar as suas defesas. Devido à sua localização estratégica, Natal foi designada como uma importante base americana durante a II Guerra Mundial.

Natal foi obrigada a se desenvolver e a fornecer estrutura suficiente para receber mais de 10.000 soldados bem acolhidos. Isso foi importante para todos os estabelecimentos da cidade e ajudou muito para o desenvolvimento da região.

É só fazer contas: uma cidade de poucos menos de 50 mil habitantes não tinha “meninas” suficiente pra matar a “seca” dos mais de 10 mil gringos que estavam por lá; foi aí que o cabaré da Maria Boa apareceu como um dos empreendimentos de maior sucesso no Rio Grande do Norte.

Na Ribeira, lá estava Maria Barros enaltecendo-se na cidade do Natal como a proprietária do melhor e maior cabaré do Brasil.

O nome verdadeiro dela foi Maria Oliveira de Barros, natural da Paraíba, mas sempre será lembrada como Maria Boa, dona do mais famoso cabaré que o Rio Grande do Norte já teve. Maria nasceu na cidade paraibana de Remígio, em 24 de junho de 1920, falecendo em Natal no dia 22 de julho de 1997, em consequência de um AVC.

Quando jovem, Maria trabalhava com seu pai numa barraca em Remigio, onde vendia alguns produtos. Maria era uma mulher que chamava à atenção, com cabelos longos e muito bonita. Dado o seu gesto gentil e seu porte elegante começaram a chamar de Boa.

Conta-se que Maria estava namorando um rapaz, e o pai dela o obrigou a se casar com a moça. O rapaz recusou-se e daí Maria teve que sair de casa, indo morar em João Pessoa. Depois de algum tempo trabalhando numa tipografia, veio morar em Campina Grande.

Ninguém sabe exatamente quando Maria começou como garota de programa em Natal, mas sabe-se que chegou aos ouvidos de Madame Georgina, dona da Boîte Estrela na Ribeira. Ela, sabendo que havia uma jovem que acabara de cair na vida, partiu com destino a Campina Grande num velho jipe e foi buscá-la.

Maria, uma morena linda de olhos e cabelos negros, circulou pela noite de Natal e despertou mutias paixões. Fala-se que seus pretendentes eram selecionados pela disposição em dolar. Após ter trabalhado em alguns bordéis em Natal, ela juntou o dinheiro e conseguiu financiar o seu próprio estabelecimento com seus clientes.

Apesar dos poucos estudos, ela era uma mulher muito vivida, que lia bastante, adorava ir ao cinema e gostava de reportagens.

Com ajuda de um amigo natalense, alugou um casarão e começou a preparar a boate, de olho na presença dos militares americanos em Natal. Com a vinda de várias garotas de programa bonitas e elegantes de outros estados, a Boîte ganhou fama, tornando-se ponto de referência para empresários, militares e personalidades da cultura, procedentes do Brasil e dos Estados Unidos.

Amante da literatura, cinema, teatro, pintura e concertos, Maria gostava de assistir espetáculos. Fala-se que sempre comprava o ingresso antecipadamente e só chegava no espetáculo na hora do início do mesmo.

Era uma mulher educada, de fino trato que chamava à atenção de todos pelo seu porte e sua fidalguia.

No início dos anos 80, pouco antes de fechar o cabaré, Maria tornou-se reservadíssima e não se apresentava jamais no salão da boate. Mesmo assim, o local continuo funcionando e quando alguém chegava naquela casa noturna logo se aproximava uma jovem, sentava no colo do freguês com aquela frase inevitável: “Filho, peça um drinque pra mim! Vamos pro quarto fazer amor, bem!”.

Maria sempre foi uma pessoa bastante a frente de seu tempo. Alguns a chamam de cafetina, outros de grande dama, mas a verdade é que Maria Oliveira de Barros deixou um legado para a história de Natal.

Você sabia que?

  • Maria Boa foi homenageada por um B-25 na segunda guerra. Tratava-se de um North American B-25J Mitchell, que na Força Aérea Brasileira recebeu a matrícula FAB 5071.
  • O Cabaré da Maria Boa bombou tanto que foi decretado que o local só atenderia a quem estivesse vestido em traje de gala. O povo potiguar, vendo aqueles militares com as vestimentas de gala começavam a falar “Olha, lá vão os galados“. Hoje a palabra “galado” é aplicada em diversas situações, recebendo significados diferentes dependendo do contexto.
  • Lá pela década de 50, nos desfiles de carnaval de Natal. Maria Boa desfilava com Antônio Farache em carros conversíveis.
  • Em 1941 o Bando da Lua lançou a primeira música falando do Maria Boa, que foram seguidos de outros como Gomes de Melo,  Ney Matogrosso e muitos mais.
  • Em 2015 o cabaré Maria Boa foi fonte de inspiração para uma coleçao de moda. A designer do RN, Jéssica Cerejeira, se inspirou nos cabarés da Natal da Segunda Guerra, especialmente na figura de Maria Boa, para criar sua coleção.
  • Ela é uma das protagonistas no filme For All – O Trampolim da Vitória (vencedor do Festival de Gramado em 1997) de Luiz Carlos Lacerda e Buza Ferraz. O filme retrata a cidade do Natal em 1943 quando a base americana de Parnamirim Field.

Maria Barros é história do Brasil. Mesmo sendo paraibana é a Primeira Gran Dama de Natal. Maria ainda se faz presentes nos prostíbulos que resistem nas periferias das cidades ou nas casas de “drinks” nos bairros mais nobres.

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