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Marrocos: descubra os Kabareh Cheikhats, travestis que questionam as normas de gênero

Kabareh Cheikhats, um grupo de travestis que homenageia os tradicionais cantores marroquinos que celebram o amor e a revolta contra o colonizador. Um espetáculo transgressor que questiona as noções de feminilidade e masculinidade num pais tão conservador como Marrocos.

Um coletivo marroquino cujo nome é Kabareh Cheikhats – كباريه الشيخات  -, composto exclusivamente por homens que se “disfarçam” de mulheres, surgiu com um objetivo simples, homenagear cantores e dançarinos marroquinos comumente chamados de “Cheikhates” que fazem a música chaâbi – literalmente, a música do Povo – há muitos anos, e que continuam fazendo isso. Homens maquiados e com roupas femininas, interpretando papéis femininos, pode parecer estranho no Marrocos, porém não é uma prática nova. Podemos até considerá-la comum ou mesmo corriqueira, especialmente na praça Jamaa el Fna em Marrakesh.

Kabareh Cheikhats é uma experiência que começou em 2014, e que após  um incrível sucesso de público levou a trupe a repetir no Vertigo em Casablanca.

A mulher sheikha há muito é estigmatizada pela sociedade. Este é um dos motivos pelos quais o Kabareh Cheikhats quer homenagear todos os grandes cantores de outrora que contribuíram para a preservação do patrimônio da música marroquina, como Cheikha Kharboucha ou Zahra Elfassia.

Praça Jamaa el Fna em Marrakesh >> http://faispasgenre.fr/

Há um bando de homens em Casablanca. Cabelos escuros e barbados, usando calças e camisetas de lona, ​​jogando fliperama antes de um ensaio. E então há o personagem de Kabareh Cheikhats, sua “sheikha”, a mulher que todos personificam no palco. Para Ghassan El Hakim, o diretor, será uma ruiva provocadora e sedutora, que adora reescrever a história e beber para afogar uma velha dor de cabeça.

“Há subversão em nossa abordagem. Interpretar uma mulher permite-nos libertar-nos como homem face aos padrões, libertar o nosso corpo ”, confidenciou Ghassan El Hakim, o diretor.

Essa fluidez de gêneros permeia a performance artística. A barba, as tatuagens e a maquiagem coexistem sob as perucas. Vozes roucas escapam dos seios vestidos com cafetãs coloridos, esses vestidos longos que vão até os tornozelos….

Próximo evento em Paris

KABAREH CHEIKHATS en concert
Vendredi 11 Juin 2021 à 20h00
Cabaret Sauvage , Paris (75)

 

 

Fontes >> http://faispasgenre.fr/2019/01/30/lartification-de-resistance-maghreb/

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Candidatos Trans nas eleições. Números mostram falta de representatividade política.

A semana passada publicávamos no nosso blog uma breve história de Shawn Skelly, ex-comandante da marinha dos USA, que foi nomeada para equipe de transição de Biden. Cada vez é maior a participação de cidadãos transexuais nos cargos públicos do Estados Unidos, seja pela sua atuação política, como a senadora Sarah McBride do estado de Delaware, ou pela sua capacidade de gestão, como é o caso da Skelly.

No Brasil, estamos longe de conseguir a representatividade política que tem os americanos, porém o número de candidatos trans não para de crescer eleição após eleição.

Pela primeira vez, candidatos puderam ter o nome social nas urnas e número de candidatos transgêneros eleitos cresceu mais de 300%

Segundo um levantamento da revista Poder 360, nas últimas #eleições2020 foram 159 candidatos transgêneros que registraram CNPJ para concorrer a uma vaga de vereador. Dos 159 concorrentes, 30 foram eleitos, reforçando a carência de representatividade do coletivo.

O Brasil teve perto de 520.000 candidatos registrados para vereador brigando por 57.000 vagas nas câmaras municipais. Falando em números globais, há cada 10 candidatos a vereador cisgêneros, apenas um é eleito para ocupar vaga na câmara municipal. Já entre os candidatos trans, a proporção é o dobro. Há cada 5 candidatos transgêneros que concorreram nas eleições 2020, um foi eleito. Os números não mentem. Eles reforçam o convencimento de que falta representatividade política no coletivo, um primeiro passo que é fundamental para normalizar a inclusão da população trans.

30 vereador@s eleitas no Brasil

  1. Lari Camponesa (REPUBLICANOS) – Rio Novo do Sul (ES)
  2. Duda Salabert (PDT) – Belo Horizonte (MG)
  3. Titia Chiba (PSB) – Pompéu (MG)
  4. Paulette Blue (PSDB) – Bom Repouso (MG)
    Pouco ativa nas redes sociais, Paulette Blue tem 39 anos e trabalha como manicure e maquiadora. A vereadora eleita na cidade de Bom Repouso é natural de Estiva (MG)
  5. Gilvan Masferrer (DC) – Uberlândia (MG)
  6. Paulinha da Saude (MDB) – Eldorado dos Carajás (PA)
  7. Brenda Ferrari (PV) – Lapa (PR)
  8. Thabatta Pimenta (PROS) – Canaúba do Dantas (RN)
  9. Kará (PDT) – Natividade (RJ)
    Em rede social, o candidato agradeceu: “muito obrigado meu povo, pelos votos de confiança que vocês depositaram em mim, que Deus continue nos abençoando!”
  10. Benny Briolly (PSOL) – Niterói (RJ)
  11. Maria Regina (PT) – Rio Grande (RS)
  12. Lins Roballo (PT) – São Borja (RS)
  13. Yasmin Prestes (MDB) – Entre-Ijuís (RS)
  14. Linda Brasil (PSOL) – Aracaju (SE)
  15. Anabella Pavão (PSOL) – Batatais (SP)
  16. Carolina Iara (PSOL – Bancada Feminista) – São Paulo (SP)
  17. Dandara (MDB) – Patrocínio Paulista (SP)
  18. Erika Hilton (PSOL) – São Paulo (SP)
  19. Fernanda Carrara (PTB) – Piraju (SP)
  20. Filipa Brunelli (PT) – Araraquara (SP)
  21. Heitor Gabriel (PODEMOS – Dialogue) – Araçatuba (SP)
    Pouco ativo nas redes sociais, Heitor participa do mandato coletivo, Dialogue.
  22. Isabelly Carvalho (PT) – Limeira (SP)
  23. Lorim da Valéria (PDT) – Pontal (SP)
  24. Myrella Soares (DEM) – Bariri (SP)
  25. Rafa Bertolucci (PODEMOS – Dialogue) – Araçatuba (SP)
  26. Rebecca Barbosa (PDT) – Salesópolis (SP)
  27. Regininha Lourenço (AVANTE) – Araçatuba (SP)
  28. ‪Samara Santana (PSOL – Quilombo Periférico) – São Paulo (SP)‬
    Poco ativa nas redes sociais, participa do coletivo Quilombro Periférico.
  29. Thammy Miranda (PL) – São Paulo (SP)
  30. Tieta Melo (MDB) – São Joaquim da Barra (SP)
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Quem é Shawn Skelly? Transexual ex-comandante da Marinha nomeada para equipe de Biden

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, nomeou a veterana trans ex-comandante da Marinha Shawn Skelly para integrar a equipe de transição junto ao Departamento de Defesa. Shawn Skelly é uma mulher transexual e fará parte da equipe responsável por avaliar o Departamento de Defesa dos EUA.

Quem é Shawn Skelly?

Shawn Skelly é licenciada em historia pela Universidade da Carolina do Sul e tem um mestrado
graduado em segurança nacional e estudos estratégicos pelo U.S. Naval War College.

A Skelly serviu na ativa na Marinha dos EUA durante 20 anos como oficial de Voo Naval, aposentando-se com o posto de Comandante.

No 2008, após sua aposentadoria na Marinha, ela trabalhou na ITT Exelis, uma empresa global aeroespacial, de defesa, informações e serviços.

No 2013 ingressou na equipe da administração Obama ocupando o cargo de Assistente do Subsecretário de Defesa para Aquisição, Tecnologia e Logística do Departamento de Defesa, atuando como coordenadora sênior da integração. Nessa função, ela era responsável por facilitar a resposta do Departamento para os pedidos de suporte urgentes dos combatentes, incluindo a luta antiterrorista  e a campanha no Afeganistão.

Posteriormente Shawn Skelly foi comissária na Comissão Militar Nacional do Serviço Nacional Público, uma comissão bipartidária de 11 membros, encarregada pelo Congresso em 2017, para revisar o sistema de seleção do serviço militar, nacional e público.

Shawn Skelly é uma mulher trans co-fundadora da @OutInNatSec, dedicada a permitir que os americanos LGBTQIA + de hoje e de amanhã continuem a servir com dignidade e respeito nas forças armadas.

Shows de rock ao vivo são vida

A ex-comandante tem uma conta no twitter @ShawnGSkelly, que não tem seguidores e na que pede desculpas aos seus poucos seguidores por tratar-se de ” apenas uma conta de stan e de indie rock ao vivo, destacando bandas e artistas que tenho visto, por meio músicas que surgiram durante minha carreira na playlist aleatória diária

Mesma coisa no facebook, onde mantem sua conta privada e com imagens de shows de rock
https://www.facebook.com/shawn.skelly3

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Associação LGBT+ faz reunião com Polícia Militar sobre agressão contra travestis

Com O objetivo de buscar uma solução para o desentendimento entre moradores e o público LGBT, a Associação LGBT+ de São José dos Campos fez uma reunião com Polícia Militar para discutir casos de agressão contra travestis em São José.
A reunião, que contou com a participação da OAB e da Defensoria Pública e representantes, foi marcada após a Associação LGBT+ de São José dos Campos fazer uma representação relatando diversos casos de agressão e desentendimento com a população e policiais militares.

Fonte Meon.com
Segundo a representação, no dia 30 de julho, travestis, que trabalham como garotas de programa na Vila Industrial, foram agredidas na rua por um homem e chamaram a PM. Porém, segundo a Associação, também teriam tido um desentendimento com os policiais e sido agredidas. A representação aponta ainda que foi elaborado um Boletim de Ocorrência contra as travestis.

Segundo a Polícia Militar, naquele dia, a equipe foi acionada para atender uma ocorrência de desinteligência e ameaça na Vila Industrial. Os policiais compareceram para apaziguar a situação, porém, em determinado momento, uma travesti teria dado um chute em um dos moradores. Alguns minutos depois, ainda com a discussão acalorada, a mesma travesti teria dado outro chute no morador. Neste momento, os policiais a detiveram e colocaram ela na viatura.

Outra travesti envolvida na discussão teria chamado um veículo de aplicativo para ir embora, porém os policiais solicitaram que ela aguardasse. Ela não teria obedecido, acabou se exaltando com o policial, foi contida e também colocada na viatura. Com ela teria sido encontrado uma faca dentro de uma bolsa.

Por conta do desentendimento entre os moradores locais e o público LGBT no local, a PM empenhou algumas viaturas para fazer o patrulhamento no local para evitar novas brigas.

Ao fim da reunião entre a PM e a Associação LGBT+ desta terça-feira, ficou decidido que um novo encontro será marcado com a presença de moradores e representantes da comunidade local.

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Governo Bolsonaro exclui LGBTs de políticas de Direitos Humanos

A Medida Provisória 870, primeira assinada pelo novo presidente Jair Bolsonaro o passado 1 de Janeiro, cria monitoramento de ONGs e organizações internacionais mas retirou da política de Direitos Humanos a ser implementada todas as ações destinadas à garantia de direitos de gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e demais grupos LGBTs.

A Medida Provisória 870/19 reduz de 29 para 22 o número de órgãos com status ministerial no governo federal.

O novo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandado pela ministra Damares Alves, não terá uma estrutura específica para a comunidade, como havia na pasta de Direitos Humanos. A MP foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).

Na medida lê-se que compete à Secretaria de Governo “supervisionar, coordenar, monitorar e acompanhar as atividades e as ações dos organismos internacionais e das organizações não governamentais no território nacional”.

Após as novas definições, nas diretrizes destinadas à promoção dos direitos humanos estão incluídos explicitamente as “mulheres, criança e adolescente, juventude, idoso, pessoa com deficiência, população negra, minorias étnicas e sociais e Índio”. A pasta de Damares deixou de abrigar a comunidade LGBT, que antes era citada na estrutura da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa.

O Conselho Nacional de Combate à Discriminação continua, mas de acordo com o decreto tem a função de formular e propor diretrizes de ação governamental. A execução de ações para a população LGBT depende de pastas específicas que ainda não foram definidas.